segunda-feira, 25 de abril de 2011
DA ILUSÃO E OUTRAS COISAS QUE CRIAMOS - Parte 1
“Iludiste-me, ó Senhor, e iludido fiquei..." Jeremias 20.7
Ilusão é a crença naquilo que não é real e nem verdadeiro.
A ilusão é a incapacidade de ver a verdade por detrás dos fatos que se manifestam. E assim sendo, fazer-nos criar um universo paralelo a própria realidade, como se aquilo que foi criado, pudesse, de fato, vir a acontecer.
A ilusão envolve a gente e mexe com a gente na forma de paixões e vontades. Por causa de uma ilusão criamos todo um ambiente de comportamentos e ações, que no fim, ruem e transformam-se em pedaços – em pedaços de nós mesmo.
Ficamos iludidos com promessas, que muitas vezes, no intimo da gente, sabemos que nunca serão cumpridas. E nos movemos nesta certeza incerta, crendo que, a promessa ainda que falsa, pode vir a tornar-se verdade em nossa vida, e no fim, resta-nos apenas a mentira.
Ficamos iludidos com paixões que do mesmo jeito que vêem, vão e indo leva muito do que a gente tem e do que gente é. A ilusão da paixão subtrai da gente, o que de melhor a gente poderia dar a um amor de verdade. Todavia tal circunstância é desoladora, por que o gosto da paixão – ainda que ilusória – tem poder camuflador de nossos anseios e vontades. Vivemos uma paixão porque projetamos no objeto dela, toda ansiedade que há dentro do ser – e no final, tornamo-nos mais ansiosos que antes – pois quando a ilusão se manifesta, sentimo-nos enganados pela vida ou pelo objeto da paixão.
Ficamos iludidos com as ações dos outros que a principio, parecem que vão nos ajudar, e no final do processo, nos prejudicam. Sim confiamos na ilusão do apoio, pois, para muitos, o apoio do outro é a muleta que pensam poder movê-los em direção daquilo que querem ser. Todavia tal ilusão torna-se cruel, no momento que, descobrimos que não fomos ajudados, mas apenas usados nos projetos das mesquinharias humanas.
Ficamos iludidos com a própria ilusão, pois ela cria em nós a expectativa daquilo que pode ser concebido. Sim tem gente que se ilude no simples fato de criar uma ilusão. Tal pessoa concede de si próprio aquilo que não é, e passa a viver como se assim fosse. Perdem-se de si mesmos, mas ao meso tempo estão tão agarrados a si, que acreditam de fato que aquilo que pensam ser, é de fato o que se é. Sim. Tem gente que acredita na própria mentira que conta sobre si.
A gente só se livra da ilusão, quando praticamos o sonho da verdade.
Pense nisso!
quinta-feira, 21 de abril de 2011
METAMORFOSE
"Pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Tampouco podeis vós fazer o bem, acostumados que estais a fazer o mal." Jeremias 13.23
Todos temos uma natureza irremediavelmente má.
Esta natureza, além de ser uma herança da genética do pecado, desde Adão, também é um subproduto dos condicionamentos existências que vivemos.
Vivemos num mundo e num ambiente de mundo que alimenta tal natureza, como realidade de comportamento, em nós.
Somos impelidos pela força do pecado e do ambiente onde tal pecado se manifesta a nós e em nós, e nos tornamos no que tornamos.
Sim. Jeremias diz que é quase impossível mudar tal natureza condicionada pela prática de tal maldade em nós. Para ele seria mais fácil mudar a cor da pele de um homem negro, ou apagar as machas da pele de um leopardo. Ou seja: Impossível.
O condicionamento é a escravidão da vontade. Uma vez alimentada, cotidianamente, a vontade injeta na nossa natureza as conjunções que nos tornam seres, amplamente, abertos as práticas daquilo , que nem sempre, gostaríamos de fazer ou realizar.
Essa ação dá-se não somente pela carga maligna do pecado, mas também pelas concessões que fazemos a nossa própria natureza, ou seja, mesmo tendo a inclinação para o mal, só cometeremos tais males, se de fato deixarmos o mal atuar em nós e através de nós.
Sendo então impossível mudar a própria natureza daquilo que somos, poderíamos mergulhar num vertiginoso círculo das inconseqüências e irresponsabilidades diante das ações e decisões que tomamos no curso da nossa vida – em todas as suas manifestações. Assim, poderíamos colocar a culpa na própria culpa, pois somos o produto direto de uma condição imutável – nossa natureza má.
Todavia o que o profeta afirma é que esta mudança torna-se impossível, se eu me dedicar à prática daquilo que minha natureza demanda. Pois, o fato de eu possuir esta inclinação para o mal, não faz de mim um mal em si e nem me faz mau. Pois a prática gera o condicionamento e o condicionamento a imutabilidade do ser.
Para mudar esta condição eu preciso impedir que minha natureza determine meu comportamento, assim sendo, preciso não viver pelos impulsos da vontade e dos desejos, mas no controle das pulsões, que se dá através da presença do Espírito Santo, que segundo a Palavra, nos convence da nossa própria condição.
Sim, nem sempre é de uma mudança que a gente precisa – pois isso é impossível – mas de uma metamorfose vinda da comunhão com Deus.
Sim, todos temos um etíope e um leopardo dentro de nós.
Pense nisso
APRENDA A COMEÇAR PEQUENO
"Por que quem despreza o dia das pequenas coisas?” Zacarias 4.10
Todos nós valorizamos grandes feitos. Grandes pessoas. Grandes monumentos.
O mega, o imenso, o grandioso nos seduz. O mundo só valoriza o que é grande.
Inclusive, sonhamos sempre com algo grande para nossa vida. E traduza algo grande, como aquilo que chama a atenção. Faz vibrar. Envaidece pela proporção.
Aquilo que não é super nem sempre nós atrai.
Todavia o profeta Ezequiel diz que não devemos desprezar o dia das coisas pequenas.
Nada é grande por acaso, pois para tal fato suceder houve um período de crescimento, e só cresceu por ser pequeno.
Algumas vezes ficamos desiludidos na vida por que olhamos a nós mesmos e aquilo que fazemos, sempre da ótica do grande para o pequeno, ou seja, nossa capacidade de medição daquilo que somos e fazemos, sempre vai do maior para o menor, e quando chega na gente, nos sentimos frustrados, pois podemos não ter a dimensão na vida e das coisas que a vida pode oferecer que a gente gostaria.
Por isso tem gente desmotivada por ai, pois tem como padrão de crescimento próprio, o grande, e despreza a fase que esta vivendo e faz dela, não um momento, mas um fim. Por isso não vão chegar a lugar algum.
Para que a vida ganhe à proporção que desejamos, o conselho do profeta é que não desprezemos o momento, seja ele qual for. Pois quando percebemos a importância de viver cada processo da vida, a própria vida em Deus, levará o processo ao crescimento, e aquilo que pequeno se fez, grande será.
É no dia das pequenas coisas que nosso coração prepara-se para viver as coisas grandes.
É no dia das pequenas coisas que a gente percebe que não importa o tamanho daquilo que estamos fazendo ou vivendo, mas sim a paixão que colocamos naquilo.
É no dia das pequenas coisas, que aprendemos que tamanho não é documento.
É no dia das pequenas coisas, que as coisas pequenas ganham significado e aprendemos que mesmo se o tamanho não mudar, já a temos como grandiosidade dentro de nós.
É no dia das pequenas coisas que nosso ser cresce, mesmo quando o que fazemos ou queremos permanece pequeno.
Sim, é quando tudo esta no diminutivo que a gente percebe a ilusão do aumentativo.
Portanto olhe com mais cuidado os humildes começos que a vida oferece a gente, pois tudo que no momento pode parecer pequeno – Deus pode fazer aumentar.
Jesus mesmo disse que, quem é fiel no pouco, sobre o muito será posto. (Mateus 25.21)
Sim a proposta desta vez é: Aprenda a começar pequeno.
Pense nisso.
Todos nós valorizamos grandes feitos. Grandes pessoas. Grandes monumentos.
O mega, o imenso, o grandioso nos seduz. O mundo só valoriza o que é grande.
Inclusive, sonhamos sempre com algo grande para nossa vida. E traduza algo grande, como aquilo que chama a atenção. Faz vibrar. Envaidece pela proporção.
Aquilo que não é super nem sempre nós atrai.
Todavia o profeta Ezequiel diz que não devemos desprezar o dia das coisas pequenas.
Nada é grande por acaso, pois para tal fato suceder houve um período de crescimento, e só cresceu por ser pequeno.
Algumas vezes ficamos desiludidos na vida por que olhamos a nós mesmos e aquilo que fazemos, sempre da ótica do grande para o pequeno, ou seja, nossa capacidade de medição daquilo que somos e fazemos, sempre vai do maior para o menor, e quando chega na gente, nos sentimos frustrados, pois podemos não ter a dimensão na vida e das coisas que a vida pode oferecer que a gente gostaria.
Por isso tem gente desmotivada por ai, pois tem como padrão de crescimento próprio, o grande, e despreza a fase que esta vivendo e faz dela, não um momento, mas um fim. Por isso não vão chegar a lugar algum.
Para que a vida ganhe à proporção que desejamos, o conselho do profeta é que não desprezemos o momento, seja ele qual for. Pois quando percebemos a importância de viver cada processo da vida, a própria vida em Deus, levará o processo ao crescimento, e aquilo que pequeno se fez, grande será.
É no dia das pequenas coisas que nosso coração prepara-se para viver as coisas grandes.
É no dia das pequenas coisas que a gente percebe que não importa o tamanho daquilo que estamos fazendo ou vivendo, mas sim a paixão que colocamos naquilo.
É no dia das pequenas coisas, que aprendemos que tamanho não é documento.
É no dia das pequenas coisas, que as coisas pequenas ganham significado e aprendemos que mesmo se o tamanho não mudar, já a temos como grandiosidade dentro de nós.
É no dia das pequenas coisas que nosso ser cresce, mesmo quando o que fazemos ou queremos permanece pequeno.
Sim, é quando tudo esta no diminutivo que a gente percebe a ilusão do aumentativo.
Portanto olhe com mais cuidado os humildes começos que a vida oferece a gente, pois tudo que no momento pode parecer pequeno – Deus pode fazer aumentar.
Jesus mesmo disse que, quem é fiel no pouco, sobre o muito será posto. (Mateus 25.21)
Sim a proposta desta vez é: Aprenda a começar pequeno.
Pense nisso.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
PARADOXO
“Não entendo o que faço. Pois não faço o que desejo, mas o que odeio.” Romanos 7.15
Sim, todos nós temos um paradoxo dentro da gente.
Um paradoxo é uma contradição lógica.
Paulo, o apóstolo sentia isso e expressava isso publicamente.
Somos feitos de vontades. E algumas destas vontades são latentes. Estão dentro da gente, como se fosse à gente. Todavia estas vontades também se manifestam na gente – mas a pior espécie de manifestação, é aquela vontade que a gente não quer, ou seja, as ações provenientes daquilo que está na gente – mas a gente não quer fazer, e faz.
Normalmente somos assim. Fazemos mais o que não queremos fazer do que aquilo que queremos que seja feito por nós. Quantas vezes dizemos:”Nunca mais farei isso”, e dali a pouco somos surpreendidos por nós, fazendo a mesma coisa.
Isso frustra.
Isso anula a gente.
Isso mata.
Paulo diz que este paradoxo existe, por que o princípio ativo que o alimenta é o pecado. Interessante que o mal do pecado, manifesta no ato bondoso da ação, ou seja, mesmo sabendo que tal coisa é ruim, eu a enxergo com algo que me promova satisfação – então mesmo não querendo fazer – minha cognição – diz que aquilo é bom, que eu mereço etc. e então eu faço o que não queria fazer, pelo simples prazer de sentir o que fiz como projeção do meu mundo interior. O resultado final chamamos de pecado.
O pecado é acima de tudo uma desconstrução de mim. Ele destrói em mim, o que de Deus há em mim, e torna-me aquilo que eu realmente sou mesmo não sendo – Pois Paulo diz que não é ele que faz o que não quer – mas o pecado. Todo pecado é a essência do paradoxo desta existência de vontades. O pecado enquanto ofensa a Deus é desconstrução de mim. Paulo diz que isso produz uma crise no nosso interior. Uma crise de vontades opostas, ou seja, nos tornamos uma bomba existencial ambulante. Por isso tem gente que explode em raivas, ânsias e erupções emocionais por não conseguirem entender o paradoxo que há dentro delas.
Este paradoxo personifica o pecado nas ações do nosso comportamento. Paulo diz que não sendo ele quem o faz, ele sabe que quem faz é o pecado nele. O paradoxo só é paradoxal por que está dentro de nós, não nos é exterior.
A solução para tal paradoxo está em Jesus, em estar em Jesus. (Romanos 8).
Toda crise desta existência paradoxal que nos destrói gradativamente em relação à vida, autoconfiança e vontades, está em Jesus. Nele, por Ele e com Ele, temos a condição do equilíbrio. Jesus muda o pricíipio ativo do nosso interior. Onde era pecado irrevogável, agora é graça incompreensível. Onde havia má vontade, agora há força de vontade, da vontade de Deus.
Sim. Continuamos os mesmos. Com as mesmas vontades. Com os mesmos desejos. Com os mesmos pulsões do pecado. Mas podemos seguir em Cristo. Podemos respirar aliviados o ar puro da Graça, mesmo no meio da poluição do pecado.
Não se dê por vencido. Ainda que todos os paradoxos da sua existência sigam você, lembre-se: “Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus...”.
Pense nisso.
terça-feira, 19 de abril de 2011
NÃO PERCA O FOCO
“Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho...” Gálatas 1.6
Sim, o que Paulo está dizendo é que os Gálatas perderam o foco.
Foco é nitidez de vontade. Visão clara de um determinado processo.
Na vida podemos perder o foco. Desfocar. Desviar-nos dos objetivos iniciais. Dos objetivos da nossa própria vocação enquanto cristãos e pessoas.
Podemos começar bem e no caminho, nos perdermos no processo, e acabar mal.
Estar sem foco é estar sem uma visão clara da própria vida e seus processos. É caminhar apenas sob a influência da multidão. É caminhar indo, mas nunca chegando a algum lugar. É perder a originalidade de Cristo e viver no plágio do comum. É voltar o inicio sem saber como chegar de novo, onde se estava.
Paulo exorta os Gálatas sobre isso.
Perdemos o foco quando nos deixamos influênciar por aqueles que não têm objetivos na vida. Sim, pois quem não tem foco – não vê para onde quer ir, vai para onde a vida levar – e tais pessoas tem o poder de desfocar quem no foco está vivendo. Quem não tem foco vive como se a vida não tivesse propósito. Paulo fica maravilhado ao ver os Gálatas, com tanta rapidez mudando o foco de sua vocação. Sim, isto é atrativo, pois a vida daquele que não tem foco parece, a princípio, muito interessante e independente, pois tal ser não tem direções a seguir, e segue todas as que têm oportunidade. Em contrapartida – o focado – não experimenta de imediato toda a emoção de uma vida cheia das aventuras dos atalhos, pois permanece na estrada da vontade de Deus.
Quem não te foco, não tem estrada, tem apenas atalhos que não o levam a lugar nenhum.
Perdemos o foco quando a gente deixa as promessas de Deus e passa a viver pelas próprias emoções e sensações que o momento nos oferece. Sim, corremos o risco de nos deixar levar pelo momento, em detrimento daquilo que este implícito dentro de nós como promessa de Deus. Tem gente que desfocou por que preferiu apenas viver fortes emoções, em detrimento daquilo que tinha como promessa e propósito de Deus para sua vida. Paulo exorta os Gálatas dizendo que nem mesmo um anjo poderia fazer quem eles saíssem do plano original de Deus. Cuidado com suas emoções.
Quem troca o foco pelas emoções – ainda que intensas e transcendentes – termina na vida com frustração patológica, ou seja, um ser amargo e místico.
Perdemos o foco quando fazemos da nossa vida um palco para agradar os homens. Gostamos de aprovação. De aplausos e elogios. Queremos ser bem quistos. Todavia nesta ânsia de sermos aprovados pelos homens, perdemos o foco daquilo que Deus tem pra gente – então a gente acaba virando o foco dos outros – pois eles vêm na gente à forma de serem agraciados com aquilo que fazemos para agradá-los. Tem gente assim na vida, que transformou a vida num veículo de diversão para o outro. Perdeu-se de si para agradar o outro. Claro devemos sempre olhar para o outro e estar com o outro – mas nunca podemos perder o foco daquilo que somos e de quem somos em Deus. Tem tanta gente destruída em casamentos de aparência; Tem tanta gente desiludida com a igreja; tem tanta gente desmotivada com o trabalho; tem tanta gente que, para agradar outra gente – se perdeu numa miopia aguda da própria existência.
Ajuste o foco hoje.
Nossa lente é Jesus Cristo. Nele e só Nele a gente pode ser a gente e enxergar com nitidez o que a gente é.
Em Jesus o nosso foco está ajustado não para o outro, mas para Ele em nós – pois é através de Jesus Cristo em nós, que podemos chegar onde a visão nos mostra.
Somente em Jesus é que meu foco continua nítido e então eu posso ver o outro e fazer o outro feliz, sem que para isso eu pague o preço da insatisfação (sim, tem gente tão desfocada na vida, que faz os outros felizes em cima da própria infelicidade)
Somente em Jesus minha visão ganha à nitidez da própria vontade Divina.
Aproveite esta leitura e ajuste seu foco.
Afinal, qual é o seu foco?
Pense nisso.
CORAGEM PARA RECOMEÇAR
"Levantar-me-ei ,e irei ter com meu pai..." Lucas 15.18
Sim, o que o filho pródigo quer é recomeçar.
Este rapaz quis viver a vida. Pegou o que achava ter direito e partiu.
Partiu para curtir. E se partiu ao meio.
Algumas vezes a única maneira de continuar a vida e continuar na vida, é recomeçando.
Nem sempre os anseios que temos de curtir a vida, produzem em nós a mesma sensação que sentimos, no momento quando tivemos a vontade. Sim, sempre após o êxtase da diversão, caímos no calabouço do vazio – produzido pela frustração, de que, aquilo que esperávamos tanto, não correspondeu às expectativas.
Sim, o filho pródigo esperava algo fantasioso e terminou num chiqueiro com inveja dos porcos.
Sim a sensação de frustração – após um processo de grande expectativa nos leva a uma condição de profunda decepção com a própria realidade. É, a frustração com uma falsa felicidade, produz seres adoecidos com a realidade, e então, até mesmo a realidade do jantar de um porco, torna-se melhor que a própria realidade vivida. Por isso tem gente que inveja a felicidade alheia, e em alguns casos, tenta tomar pela força – inclusive da língua – o que pertence a outrem.
Todos, como o filho pródigo, buscamos uma felicidade que seja independente da responsabilidade com os atos praticados, pois foi tal fato que tornou aquele rapaz num ser dissociado de si e da realidade da casa de seu pai. Ele queria ser feliz, mas não queria a figura responsável do pai, por perto. Alguns são assim, querem toda felicidade sem a responsabilidade, e assim sendo, tornam-se seres oportunistas – vampiros dos anseios humanos – passando pela vida dos outros apenas apropriando-se do que eles (os outros) têm de melhor.
Quem buscar ser feliz na própria felicidade acaba assim: De cara pra mesa do porco que é mais feliz que ele.
Tem gente na vida que por querer ser feliz pela felicidade em si, descobre que o “porco” da realidade é mais feliz que sua realidade, ou seja, ninguém que busca felicidade na felicidade encontra a felicidade.
Acaba frustrado. Quebrado. Caído.
Sempre na vida é preciso recomeçar. Mesmo quando os erros são das piores categorias. O pródigo renunciou a própria família, para tentar encontrar-se num ambiente hostil à sua própria história. E algumas vezes agimos mesmo assim: Largamos tudo que é importante e corremos apenas atrás de sermos felizes, esquecendo-se que apenas no contexto daquilo que somos, podemos tal coisa.
Pode ser que esteja assim. Longe de tudo que você é, mesmo que esteja buscando tudo que você quer. O pródigo buscava isso, queria o mundo – mas perdeu-se de si. Por isso voltou pra casa.
Sim... sempre é possível voltar pra casa. Basta apenas querer recomeçar.
Voltar pra casa não é uma localização geográfica – não – pode ser simplesmente uma condição emocional. Não é preciso levantar-se no sentido da postura – mas levantar a cabeça e querer recomeçar.
Algumas vezes não encontramos o que queremos na primeira tentativa. Pelo contrário – existem tentativas de sermos felizes, que simplesmente nos mostram o quanto felizes já somos. Sim, foi à infelicidade da busca de ser feliz, que mostrou ao pródigo o quanto feliz ele já era. Era feliz na casa do pai.
Seja talvez o caso de você também voltar pra casa. Voltar pra Igreja, Voltar para a família. Voltar para os pais. Voltar para o marido. Voltar para a esposa. Voltar para os filhos – simplesmente voltar: Recomeçar.
Simples assim: Basta querer recomeçar. Ter coragem.
O pródigo encontrou o pai, antes mesmo de chegar em casa. Sim, pra quem recomeça o caminho pode parecer longo demais – mas o Pai (Deus) sempre se antecipa a nós e vem ao nosso encontro.
Recomeçar sempre é difícil – mas o pai sempre estará nos esperando de volta.
Pense nisso
segunda-feira, 18 de abril de 2011
DA CULPA E OUTRAS CARGAS
“... a minha dor está sempre perante mim. Confesso a minha iniqüidade;...” Salmo 38.17-18
Sim, o que Davi sente é culpa.
A culpa é a impossibilidade de voltar atrás.
Sentimos culpa, como resultado de termos tomado um caminho, que lá na frente, a gente percebe que não devia ter ido por ele – mas foi – e não teve retorno.
A culpa, antes de qualquer manifestação psicológica é uma ação na alma. Ele se aloja como resultado da nossa incapacidade de perceber, em dados momentos, o certo do errado.
Davi sentia isso na própria pele.
A culpa tem a capacidade de transformar aquilo que é colorido em cinza. De produzir em nós um profundo senso de autopiedade e nos esconder dos outros, de nós e de Deus.
Todavia o culposo não se livra da culpa apenas pela vontade de sair dela. Não. É preciso ser puxado de lá.
A culpa é como areia movediça – quando mais você se esforça pra sair dela, mais nela você entra, pois tal sentimento faz construções existenciais na gente, e então a gente se vê preso pela ação que deveria nos tirar de lá. Cada movimento anti-culpa, ou que tenta racionalizar a culpa, coloca mais culpa em nós.
Tudo que você faz sozinho pra vencer o sentimento de culpa te deixa com mais culpa ainda. Por isso a confissão é uma forma de cura, pois ela nos abre ao outro e dá acesso ao outro à nossa culpa, e então sentimos alivio.
Confessai as vossas culpas um aos outros – Diz a palavra (Tiago 5.16)
Somente Deus tira a culpa de dentro da gente. E Deus assim o faz através de gente como a gente, mas que entende de gente. Pois tem muita gente por ai, que entende de tudo na vida, menos de gente. Não sabe lidar com a dor do outro, não sabe nem ver e nem escutar o outro – e muita gente ainda está ferida na vida e pela vida, por que não encontra alguém que lhe estenda a mão no seu poço de areia movediça – a culpa.
Sim, a forma de vencer a culpa é encarar o objeto da culpa como assunto resolvido diante do próprio coração. Não se pode vitimar-se diante dela e nem fazer-se refém da culpa, pois tal fato, assim concebido como realidade, produz a melancolia e a insensatez, o que gera pessoas adoecidas e complexadas.
Independente de qual seja o objeto da culpa, em Cristo, toda culpa já foi vencida na cruz.
Portanto neste dia promulgue à sua vida a liberdade de saber que nada e nem ninguém tem tal poder sobre você – nem mesmo qualquer espécie de culpa que você possa carregar. Sim, hoje é dia de você deixar a culpa e todas as outras cargas que tal sentimento que manifesta em ti.
Pense nisso.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
EU ME AMO
"...amarás a teu próximo como a ti mesmo." Marcos 12.31
O maior desafio que a gente tem na vida é amar o outro. O semelhante.
Tanto é difícil, que um dos principais mandamentos Divino, é amar o outro. O próximo.
O amor é um tema complexo. É complexo por que o amor é simples, mas amar é difícil. É difícil, pois denota a entrega ao objeto amado. Amar não é entregar amor, é entregar a si mesmo.
Todavia o que torna tal fato difícil é a referência do ser que ama, ou seja, meu modelo de amar ao outro, é o amor que concedo a mim.
Sim, Jesus diz que só posso amar o outro se eu amar a mim mesmo.
E nisso encontramos dificuldades. Pois quando não compreendemos a gente como a gente é, encontramos na gente aquilo que não é a gente, e assim sendo, acabamos vendo no outro muito da gente. Daquilo que somos e não gostamos em nós.
Sim, a gente sempre percebe no outro o que a gente tem de pior. Jesus quando diz que devemos amar o outro como a nós mesmo, ele nos dá a lição de que, se a gente erra e tem defeitos, ou outro também defeito tem – o que Ele ensina é que, a única condição de amar é a aceitação daquilo que a gente é e do que o outro também é.
Algumas vezes criamos condições de amor para amar. Condição de amor é aquilo que estabelecemos como normas de comportamento ao outro, ou seja, se o outro se comportar de forma merecedora, eu amarei. Sim, fazemos isso por que em nós está sempre implícita, a correção que tal norma estabelece no outro.
Por isso vivemos sempre querendo mudar as pessoas. Queremos mudar nelas o que há de pior em nós. Claro, isso não é explicito. Se perguntar a você se você faz isso, você dirá que não – mas – quando olha pra você vê em você o que tenta mudar no outro.
Bom para escapar de tal armadilha – o caminho – é o que Jesus diz: Amar a si mesmo. Não isso não é hedonismo, nem culto ao corpo, nem vaidade exacerbada. O que Jesus propõe é aceitação. E a gente só ama quando aceita a gente, e só ama o outro quando percebemos em nós, que em nós, também há contrastes do outro.
Para amar é preciso aceitar a si acima do outro, para que o outro tenha de ti o que o fará completo.
A gente priva da gente o que temos de melhor e com isso privamos o outro da gente e nos privamos do outro. E então se dá o desencontro. Os rompimentos. Os abandonos. As separações. As desilusões do amor e de todas as formas de amar.
Por isso tem gente promiscua na vida. Buscando sempre em mais um, e em mais outro, aquilo que ele não acha nele, e assim não vai achar em ninguém e não achará ninguém pra amar de verdade.
A pergunta é: o amor existe? A resposta é: Sim, ele existe, mas só o podemos encontrá-lo não no outro, mas somente em nós. Pois é, quem poderia imaginar que para ser feliz no amor e em amar as pessoas, você precisa primeiro se enamorar de si.
Pense nisso
quarta-feira, 13 de abril de 2011
MUNDO DE FANTASIA
A fantasia opera com os nuances do imaginário, ou seja, com aquilo que pode vir a ser, e, portanto, exclui a realidade da sua esfera de ação.
Por isso toda fantasia é perigosa, pois exclui a gente da realidade da gente.
Toda vez que a fantasia invade o interior da gente, ela cria sofismas – quando não muito – fantasmas que assombram a gente mesmo, pois passamos a viver em função da fantasia que temos. E ao fantasma da fantasia chamamos de paranóia.
Também, a própria fantasia se fantasia – sim, ela nunca vem a nós com a cara que tem – mas com a cara que queremos vê-la, ou seja, fantasiada pela própria fantasia que criamos.
Tem muita gente que se perde da gente e de si, por que se pega a fantasia como fato a ser vivido e esquece que a vida só pode ser vivida na realidade. Cria para si um mundo de fantasia, para fugir daquilo que se é, se vive ou sente a seu próprio respeito, ou a respeito do mundo que o cerca.
E para manter viva a fantasia, vamos pelo caminho matando e eliminando não apenas a realidade, mas também aqueles que nos fazem ver a realidade. Assim, todo aquele que me traz de volta a realidade é o inimigo da minha fantasia, e, portanto inimigo de mim, mesmo sendo amigo do que sou.
Quem fantasia assim nunca estará acompanhado, pois para se ter a companhia do outro é necessário que o outro também fantasie a fantasia dele, e tal ação é irreal pelas próprias demandas que pedem.
Se você está no mundo da fantasia lembre-se que apenas uma coisa lhe tira de lá: A realidade.
A realidade é nua e crua e por isso terapêutica. Quem enfrenta e vive a realidade, ainda que excruciante, tem a possibilidade de acordar da fantasia e continuar a viver. Pois para alguns, somente a dor da vida o mantém acordado para a realidade da vida.
A realidade trabalha com o aqui e agora, pois seu combustível é aquilo que é, e não o que poderia ser. Portanto, cada vez que me deixo levar pelo real, eu me movo de verdade em direção aquilo que sou e daquilo que devo ser. Movo-me em direção ao real.
A realidade penetra a verdade – por isso chama-se real. Assim sendo subtrai-se de dentro de nós toda a mentira criada pela fantasia. Portanto, mesmo que a ausência da fantasia possa empobrecer a existência de alguém, ainda assim, é preferível uma existência pobre e real, a uma ilusão fantasiosa.
Sim, quem caminha pela vida da fantasia corre um risco enorme de morrer na colisão com a realidade, pois uma anda na contramão da outra.
Se este for teu caso.
Acorde.
Pense nisso.
terça-feira, 12 de abril de 2011
PERFORMANCE
"...Pois este povo se aproxima de mim e, com sua boca e com os lábios, me honra, mas seu coração se afasta para longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens..." Isaias 29.13
Performance é uma combinação de ações e imagens.
A tradução disso chamamos de desempenho.
Sim, quando o que percebemos e o que vemos nos impressionam ou causa-nos espanto, dizemos que houve uma excelente performance. Tanto que nos impressionamos muito com a dança, com o teatro, com os artistas e desportistas.
Todavia, tal coisa, nunca esta embutida de essência, ainda que sua função primaz seja dar significado ao ato em si, ou seja, por mais que ela nos impressione, a performance só diz respeito a ela mesma, e não pode nada além da própria ação que a constitui. Então, a performance só celebra a própria performance. Ela é um fim em si mesmo.
Algumas vezes tornamo-nos seres performáticos na jornada com Deus.
Deus sabe muito bem disso.
Quando damos mais importância àquilo que se vê na gente em detrimento do que a gente é, a gente passa pela vida apenas tentando melhorar nossa performance diante de Deus e dos outros, e mais diante dos outros do que de Deus.
O perigo é a perda da identidade. A perda da verdade daquilo que somos.
Sim. Deus sabe quem você é e o que você é.
Deus não aceita de mim, nada que não venha de mim. Não o que eu faço através de mim, mas aquilo que eu realmente sou.
Temos muito medo, de na vida, perdermos o fio da meada da vida, e passarmos pela vida sem celebrar a vida, por isso, criamos ações e imagens de nós mesmos que apenas adéquam-nos para o exterior, ainda que no interior do nosso ser, estejamos perdidos na vida.
Sim. Deus nunca celebrou a performance de ninguém.
A queixa de Deus contra Israel era que o culto havia tornando-se apenas uma criação exterior e não uma manifestação do interior. Sim, ficamos performáticos quando temos medo de demonstrar o que, de fato, acontece no nosso interior. Temos medo do próprio coração. Temos medo do que a gente é por isso escondemo-nos atrás daquilo que sabemos fazer bem.
Tem tanta gente talentosa na vida, nas artes, nos esportes que fazem o que fazem tão bem. Possuem alta performance, mas terminaram a vida dando um tiro na cabeça, ou saltado de um prédio ou com um coquetel de remédios, pois não suportaram o que eram (tornaram) na vida.
Deus quer a nossa originalidade. Não nosso talento.
E talento, algumas vezes na vida, só é a capacidade de sermos o que não somos, através daquilo que fazemos.
A cura para isso é a capacidade de se entregar a Deus na condição de Deus, ou seja, na verdade que liberta o ser. Sim, para ser livre, não basta fazer o que se quer, tem que ser o que se é. E é isso que nos aprisiona. Pois se sendo o que é, perdemos os aplausos, os elogios, as bajulações – pois nem todos gostam do original – preferem sua versão mentirosa.Performática.
Deus sabe muito bem a diferença do que está nos lábios da gente e aquilo que se passa no coração da gente.
Deus sabe a diferença entre a minha performance e eu.
Pense nisso!
segunda-feira, 11 de abril de 2011
EU COMIGO MESMO
"Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te pertubas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, meu Salvador e Deus meu." Salmo 43.5
Sim, se existe algo terapêutico para nossa alma é o conhecimento que temos de nós mesmo.
O salmista sabia o poder terapêutico de tal ato.
Tanto que fala á própria alma.
Sim. Nós precisamos de um momento a sós com a gente.
Vivemos e passamos tanto tempo correndo atrás, sabe-se lá do que, e não encontramos tempo para estar conosco mesmo. Tem gente que já não sabe mais quem é, pois não fala mais consigo mesmo. Nunca fica a sós com ele próprio.
Davi sabia que a gente só entende a gente, estando com a gente.
Existem angústias que só são compreendidas a partir da gente. Da gente com a gente.
Tem muita gente que procura a si mesmo nos outros. Projeta seus anseios, e quando não muito suas próprias angustias, no outro.
Davi queria entender a si, por si mesmo. Por isso, ele pergunta a si mesmo: “Por que esta abatida ó minha alma?"
Sim. Algumas vezes é preciso ficar a sós com a gente mesmo para podermos entender por que determinadas coisas acontecem com a gente.
Todavia, Davi não busca cura para sua alma nele mesmo. Pois, tanto para Davi como para a gente, a cura só está em Deus. Entretanto, para que esta cura se manifeste e aconteça na gente, é preciso que a gente se entenda como tal, ou seja, como gente que precisa da gente, para depender de Deus.
Nenhuma cura vem a nós sem que nós estejamos cientes de que precisamos de cura.
Por isso tem gente neurótica com tanta coisa, quando na verdade a neurose está nele mesmo, pois não conhece a si e nem como reagir diante dos desafios de sua própria vida.
A esperança de Davi está em Deus. Mas ele não desiste de falar consigo mesmo.
Sim. Todos nos precisamos de um tempo com a gente mesmo.
Pense nisso.
sábado, 9 de abril de 2011
DA CAVERNA E OUTROS ESCONDEIRIJOS.
"...entrou numa caverna, onde passou a noite (...); e eu fiquei só..." 1 Reis 19.9-10
A caverna é aquele lugar para onde a gente vai, na tentativa de nos proteger.
Sim. Corremos pra lá quando a vida nos ameaça a vida.
Entramos nela para nos preservarmos de alguma coisa que nos é exterior.
Elias foi pra lá.
Elias entrou nela.
E quase lá morreu.
O grande paradoxo da caverna é este. Sendo, pois em nós, uma construção de proteção e preservação, quando entramos nela corremos o risco de lá morrer. Sim, o que devia nos proteger, acaba por nos destruir.
Pois a caverna tira de nós a realidade que acontece em nós e ao nosso redor. Quando entramos nela perdemos a perspectiva do que a vida oferece. A perspectiva daquilo que somos em Cristo.
A caverna nos remete a uma solidão irreal. Pois, Elias assim pensa: “Estou sozinho”. A solidão irreal é aquela que nos faz olhar para dentro de nossa condição, pois não há lugar mais inabitado do que o próprio interior. Todavia, mesmo sendo assim, assim não somos da perspectiva do Espírito Santo.
O grande medo que a gente enfrenta na vida é ficar sozinho. Pois a solidão, em todas as suas manifestações, é o maior atentado contra a realização do ser, pois ninguém pode ser feliz sozinho, pois a comunhão em todas as suas manifestações é o que promove em mim a realidade daquilo que sou, e posso vir a ser. Ninguém pode nada sozinho.
Algumas vezes fugimos das pessoas, na ânsia de encontrar pessoas. Sim. Elias foge pra caverna com medo de uma mulher violenta, mas na realidade, ele queria estar com mais alguém, que possibilitasse a ele viver a vida que estava designada a viver. Ele queria mais alguém como ele. Por isso reclama que está só. Quando ele reclama, ele diz que está sozinho.
Algumas vezes a gente não quer só gente do nosso lado, a gente quer gente como a gente e com a gente. Gente que não só compartilhe coisas com a gente, mas que compartilhe da gente – da nossa vida, da nossa alegria, da nossa tristeza, do nosso fracasso – simplesmente, da gente.
Ora a caverna não me protege. Ela me isola. E uma vez isolado, só Deus me tira de lá.
A caverna é a clausura da própria felicidade. E a felicidade não são os momentos de alegria, nem transições de sentimentos de bem estar. Felicidade é saber o propósito da nossa existência e permanecer nele, ao ponto que ele (o propósito) cumpra em nós nosso maior chamado: Abençoar pessoas.
Quem na caverna entra, foge deste chamado primordial da vida, e olha para a vida, como se a vida lhe devesse explicação. Deus não deu explicações a Elias. Apenas o chamou pra fora. Sim.
Hoje é o dia de sair da caverna.
Todavia sair de lá requer a nossa permissão para a ação de Deus. Requer que sejamos convencidos, por Deus, que não temos razões – ainda que razões existam – para nos escondermos na caverna. A pergunta de Deus a Elias é: “que fazes ai...?”
Um Deus que age no silêncio do próprio coração. No silêncio da própria caverna.
Sair da caverna é entender que não estou sozinho. Há outros como eu, que sentem a vida em todas as suas formas, e continuam vivendo. Lutando.
Sair da caverna é ver Deus agindo, mesmo que não O vejo onde gostaria de ver, mas vejo-O agindo em mim, nas decisões de vida que tomo diariamente.
Sair da caverna é ir ao encontro da minha vocação, enquanto ser criado por Deus, e fazer o que antes, era improvável que eu pudesse fazer. Sim. Elias sai da caverna e cumpre sua vocação com mais intensidade. Acaba arrebatado depois.
Sair da caverna é perceber que a história não é fatídica, ela é planejada por Deus, para que minha existência não seja um acaso, seja um dom.
Então, saia da caverna hoje.
Pense nisso.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
CAÇADORES DE NOVIDADES
"Pois todos os de Atenas e os estrangeiros residentes de outra coisa não cuidavam senão de dizer ou ouvir as últimas novidades." Atos 17.21
Nós somos a geração da novidade.
Estamos sempre atrás do novo.
Da última novidade. Do último lançamento.
E isso é até interessante quando não descamba para a forma com que moldamos nossa existência.
Sim. Pois existe gente que não vive, não se existe, caso alguma novidade não envolva seu ser. E alguns na ânsia pelo novo da novidade acabam se perdendo de si mesmos, de sua própria condição, para viverem na moda.
Todavia é ainda pior, quando pintamos a própria espiritualidade com as cores da novidade, pois, acabamos criando na gente algo que não é da gente e não é a gente.
Quem busca novidades nunca descansará o coração nas promessas de Deus. Pois a própria promessa tem em nós a celebração da espera do coração, como combustível de seu cumprimento. Sim. Quem corre atrás de novidades todos os dias, perde, na promessa, sua maior celebração – a construção da paciência e continuidade do ser. Sim, tem gente fragmentada na vida – aos pedaços – por que não tem paciência de esperar o novo, e então sucumbi diante de uma novidade, que da mesma forma que vem – passa.
Quem busca novidades nunca viverá com profundidade, pois para tornar-se profundo é preciso criar raízes, e quem corre atrás da novidade nunca se plantará em lugar algum – terá uma vida hidropônica – cultivado sem a terra da existência – apenas na superfície. Ora a maior tragédia desta gente é acreditar que a felicidade é geográfica, ou seja, ela muda de lugar. Não, a felicidade e a realização têm suas nuances, não na nossa geografia, mas no nosso interior.
Quem busca novidades terá apenas uma religião e não transformação de vida. Sim, tem gente que, não importa quem é o “deus” – não importa se “funciona” o que importa é estar na moda. É chique ser “evangélico”. Todavia quem cultua este deus desconhecido perde-se na vida e na fé, pois vira pasta e se massifica com a multidão daqueles que não sabe quem são e nem para onde vão.
Não. Com Deus não há novidade.
Com Deus há renovação.
A novidade se encontra na esquina.
A renovação apenas dentro do coração.
A novidade vem até a gente.
A renovação só vem na gente se a gente for até ela, e buscá-la.
A novidade passa – pois esta é sua sorte.
A renovação permanece – pois sua fonte é a própria vida de Deus em nós.
A novidade veste-se de nós como nós somos e promulga em nós a sentença da nossa própria desgraça.
A renovação veste do novo e para tanto, não cabe em nós como nós somos, mas uma vez em nós, muda a nós mesmos, para sermos também – novo de novo, sem deixar de sermos nós.
A novidade tem um ritmo frenético – pois quando a gente pensa que está na moda – a moda já passou e nos deixou pra trás. Por isso tem gente frustrada que não consegue enxerga nada de bom na vida.
A renovação segue nosso passo e quando não conseguimos alcançá-la, ele espera nosso tempo, e, portanto, não nos deixa ficar pra trás. Portanto sempre é tempo de renovar-se.
Sim. O que a gente precisa não de novidade. É de renovação.
Pense nisso.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
A REALIDADE DE UM SONHADOR
"Sonhou também José um sonho..." Gn. 37.5
Sim, quem sonha consegue ver o que ainda não é como sendo, e assim sendo, consegue viver aquilo que não é como se fosse.
Quem sonha vê a possibilidade de ser feliz, não naquilo que pode ainda acontecer, mas consegue ser feliz aqui e agora, sonhando.
Quem sonha não foge da realidade, mesmo que tal realidade seja opressora e circunstanciadora, e tente-o esmagar. Pois ele sabe que nenhuma realidade tem tal poder: impedir alguém de sonhar.
Quem sonha vê-se acima de tudo e de todos, mas pelo fato de tal posição só ser ocupada pelo sonho, ele não perde a humildade e sabe viver entre os demais – inclusive entre aqueles que nunca sonham.
Quem sonha tem o poder de penetrar nas prisões da vida – inclusive como prisioneiro – e transformar a própria prisão, na liberdade dos sonhos alheios. Sim, quem sonha mesmo na prisão ainda interpreta os sonhos dos outros. Percebe que os outros também sonham.
Quem sonha sabe que mesmo tendo a vida, seus momentos de pesadelo, o sonhador consegue ver, nos pesadelos (dos outros, inclusive), a esperança de um futuro melhor.
Quem sonha sabe que o sonho pode não ser nada pra quem o ouve, mas é tudo para aquele que sonha.
Portanto, não deixe de sonhar.
SONHOS versus FANTASIAS
"E aconteceu, depois destas coisas, que a mulher de seu senhor, pôs os olhos em José e disse: Deita-te comigo, porém ele recusou..." Gn. 39.7-8
José era um sonhador.
A mulher de Potifar alguém que fantasiava.
Ela fantasiava com José.
José sonhava com Deus.
A mulher de Potifar tinha uma fantasia. José tinha um sonho.
Gente fantasiosa vive pela imagem que vê e só deseja o que vê. Gente que sonha, ainda que veja a fantasia do outro, vive por aquilo que não se pode ver, ou seja, a esperança de algo melhor do que o que se vê.
Gente fantasiosa apenas se move tentando destruir o que o outro é e o que o outro sonha. O fantasioso só se move na destruição do outro, pois não vê o que o outro é só o vê como o objeto da sua fantasia. Gente que sonha vê o outro como o outro é, e não se move na fragilidade do outro, para prazer ou recompensa própria. José não aproveitou a oportunidade para se dar bem, pois quem sonha, já tem no sonho o próprio contentamento.
Quem vive de fantasia apenas vive no objeto da sua vontade, e nunca na plena satisfação da vontade. Gente que sonha vê no sonho a possibilidade de realizar suas vontades. Por isso não fantasia.
Quem vive de fantasia usa apenas os atributos daquilo que tem, e não a realidade daquilo que se é. Gente que sonha pode não ter nada, mas sonha que, mesmo nada tendo, pode possuir tudo, inclusive, coragem para fugir da fantasia alheia.
Quem vive de fantasia promulga sobre si mesmo sentença da infelicidade e insatisfação. Que sonha, mesmo que receba a sentença do aprisionamento, continua livre, pois aquele que sonha, mesmo que esteja preso, continua livre em si mesmo, e assim, continua sonhando.
Quem vive de fantasia, fantasia até mesmo da sua própria realidade, pois vê na fantasia, a realização daquilo que não é. Gente que sonha enfrenta a realidade, mesmo quando a realidade é contra seus sonhos.
Quem vive de fantasia, cria situações para viver a própria fantasia, e assim, acaba fazendo da realidade do outro, seu mundo de fantasia. Gente que sonha foge diante da possibilidade da fantasia, pois quem sonha nunca alimenta a fantasia do outro.
Quem vive de fantasia tenta transformar o sonho de quem sonha, na fantasia dele. Gente que sonha, sonha ao ponto de transformar fantasias em sonhos de possibilidades.
Quem vive de fantasia, busca sempre prova de que sua fantasia é uma realidade consumada. Pois foi assim que a mulher de Potifar colocou José na prisão. Segurando em suas mãos a capa dele. Gente que sonha, sofre a conseqüência da fantasia do outro, mas alcança a graça de ver seus sonhos realizados na paciência da fé.
O fantasioso, fantasia e desaparece na história, pois a história não pode ser feita de fantasia. Gente que sonha permanece e recebe autoridade pra viver uma vida que abençoa outras vidas, e assim, consegue fazer história.
Sim. Nunca troque o sonho pela fantasia do diabo.
Assinar:
Postagens (Atom)













