quarta-feira, 19 de outubro de 2011
ENSAIO SOBRE A ENTREGA DO SER
"Dai, e ser-vos-à dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando vos deitarão no vosso regaço..." Lucas 6.38
Dar é mais do que dispor de alguma coisa. Dar é também doar-se.
Além de dar coisas precisamos aprender a dar da gente também.
Jesus nos ensina que é dando que se recebe. O ciclo de ser e ter caminham na nuance da entrega e devoção, pois só entregamos o que temos e o que somos, quando somos devotos de tal ente.
Concomitantemente, às vezes, entendemos que dar é dispor de alguma coisa, com o intuito de outra coisa receber, numa troca temporal e impessoal baseado na vontade de possuir algo. A afirmação de Jesus é muito mais profunda é mais do que dar o que se têm, é dar o que se é.
Temos receio de nos dar – nos doar – porque tememos o que podem fazer com a gente. Subtraímos do mundo e das pessoas, aquilo que de nós podemos dar, como expressão de nossa totalidade – revestidos – de afeto, carinho, amor, capacidades, emoções, etc. porque carregamos na gente um senso de não permitir que as pessoas espoliem o que temos de mais precioso, por isso, ao invés de dar da gente, a gente dá das coisas que a gente tem – mas a gente não se envolve mais com as pessoas que estão ao redor da gente.
Normalmente a gente não se dá apenas se empresta, e quando fazemos assim, cobramos juros sobre o que farão (ou fizeram) com a gente, pois queremos de volta aquilo que somos e ainda, aquilo que julgamos merecer por havermos nos dado em certas circunstâncias. Sim, as poucas vezes que nos entregamos em alguma coisa, já o fazemos esperando o que vamos receber em troca, não porque acreditamos que toda entrega tem um retorno espiritual – que se manifesta de diversas formas – mas porque exigimos retorno existencial para as entregas que fazemos.
Jesus ainda diz que quando nos damos, receberemos de volta, sem precisar cobrar juros ou impor condições sobre as expectativas da gente. Jesus diz que aquilo que gostaríamos de ter, vem no nosso regaço. O regaço é a parte do corpo que vai da cintura aos joelhos, quando estamos sentados, ou seja, na linguagem popular o regaço é nosso colo. Jesus diz que quando nos damos à recompensa de tal entrega não precisa ser exigida, ela virá a nos sem os esforços das condições e exigências – a nossa realização em tudo será colocada em nosso colo, ou seja, não precisaremos correr ou lutar para termos a recompensa que a gente quer – ela, simplesmente virá a nós.
O regaço também é o interior do nosso ser – Um espaço do intimo da nossa alma, onde se faz os traços daquilo que somos com aquilo que queremos dar ao mundo e as pessoas, e é neste ambiente do ser que precisamos ser felizes. A proporcionalidade daquilo que recebo em contentamento, é relacionada com a intensidade com que me dou ao mundo e as pessoas.
Quando a gente se dá a gente se recebe de volta – se encontra na gente.
Portanto dar é melhor que receber, pois quem assim faz se recebe. Acha-se. Algumas vezes a gente busca tanta em tanta coisa, com o intuito de se encontrar, e não tem sucesso, por que Jesus diz que para tal coisa se efetivar como realidade na gente, não é só o que a gente tem que devemos dar – mas principalmente – o que a gente é. É preciso dar da gente para as pessoas, e isso, sem medida. Quem só recebe se perde de si e da benção que há nesta condição de dar-se.
Exemplo maior foi Daquele que se deu: Jesus.
Pense nisso.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
ROMPENDO O LACRE
"E rasgai o vosso coração..." Joel 2.13
Sim, algumas vezes a única maneira da gente ter acesso ao coração de Deus, é rasgando o próprio coração.
É preciso romper o lacre.
Um coração fechado torna-se inviolável diante da possibilidade das mãos de Deus trabalhar na vida da gente.
Algumas vezes lacramos o coração e lacramos dentro do coração situações, emoções, sensações, anseios, medos e pecados, que por estarem presos em nós, começam a fazer parte de nós, e quando a gente percebe, já não percebe mais quem a gente é, mas somente aquilo que tornamos por lacrar dentro da gente – coisas que nunca deveriam estar na gente.
Quem tem um coração sabe do que falo.
O coração como ente da nossa existência é um ambiente inviolável. Lacrado. Com acesso restrito. Apenas àqueles que a gente dá permissão, através da linguagem, é que pode, superficialmente, ter cesso a ele.
Portanto, é neste ambiente, que a gente cultiva na gente a própria morte da gente. Morremos porque permitimos em nós as doenças da alma e das emoções – que contagia e tira a imunidade do espírito – e assim sendo, perdemos da vida o que a vida tem de melhor. E neste clima – neste ambiente – nem a mais profunda reverência religiosa pode trazer respostas aos anseios de vida e liberdade que surgem dentro da gente. Por isso, a proposta de Deus é romper o lacre – abrir o coração.
Abrir o coração é dialogar com Deus – não a respeito do que está a tona, mas daquilo que se passa dentro da alma da gente, que a gente, em nome da aparência da gente pra religião dos outros, escondem da gente mesmo (pois no fundo, todo mundo sabe quem a gente realmente é). Romper o lacre é dar acesso à gente na gente mesmo – é para de mentir pra gente.
A maior proposta da espiritualidade Divina é não mentir pra gente. Pois quando assim procedemos, perdermos a oportunidade, de fato e verdade, de contar a verdade da gente pra Deus, mesmo tendo - sinceridade – dentro do coração. Sim, podemos ser sinceros, e ainda assim mentirosos, quando apenas com sinceridade falamos das coisas da boca pra fora, e ocultamos de nós – ainda que Deus saiba tudo a nosso respeito – coisas de nós mesmos.
Sim, hoje é preciso romper os lacres, dar acesso ao próprio coração – pois a proposta Divina – não é ouvir de nós o que Ele de nós já sabe – é fazer-nos ouvir da gente o que a gente precisa saber da gente.
Rompa o lacre hoje.
Pense nisso.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
QUANDO OS AMIGOS SE CALAM
"Sentaram com ele na terra, sete dias e sete noites; e nenhum lhe dizia palavra alguma, pois viam que a dor era muito grande." Jó 2.13
Algumas coisas na vida precisamos aprender a passar sozinhos.
Neste momento até os amigos se calam.
Jó sentiu isso.
Todavia, em meio à dor e ao sofrimento, temos a tendência de nos sentirmos abandonados, principalmente, por aqueles que de tão próximos a nós, chamamos de amigos.
Sim, nada substitui o poder de uma amizade genuína e verdadeira, daquelas que possibilita a realidade daquilo que somos como a gente simplesmente é – ou seja – aquela amizade que aceita a gente do jeito que somos.
Entretanto há alguns momentos que até os amigos se calam.
Podemos enfrentar na vida, processos pessoais, emocionais e, principalmente espirituais (aqueles que Deus esta “tratando” com a gente, pra melhorar a gente na gente mesmo) que até os amigos ficam em silêncio. Concebemos, então, em tais circunstâncias um sentimento de solidão e abandono, quando não muito, de frustração e tristeza, porque nos sentimos desprezados – mas que, na realidade – estamos apenas sendo trabalhados por Deus, para que em Deus sejamos o que Deus quer que a gente seja.
Os amigos se calam quando diante daquilo que vivemos nada há para ser dito – E algumas vezes, nada precisa ser dito, se a presença de alguém estiver com a gente – e mesmo não sendo assim, teremos sempre a presença Daquele que não nos chama mais de servos, mas de amigo – Jesus.
Os amigos se calam quando não entendem porque a gente passa pelo que passa, e não sabendo o que se passa com a gente – se perdem nas muitas indagações do que pode estar acontecendo– que, mesmo que falassem, ao invés de consolar a gente – machucaria muito mais. Pois um bom amigo – quando não entende o que se passa com a gente – ao invés de falar da gente – fica em silêncio, mesmo diante da gente.
Os amigos se calam para que a gente aprenda a viver da opinião de Deus, e não dos outros. Sim, algumas vezes – diante da dor e sofrimento – procuramos conselhos, quando na verdade a gente só precisa de conforto. Amigos podem dar conselhos, mas só Deus – no meio da dor – pode nos dar conforto.
Amigos se calam quando nossa dor é maior que a realidade da nossa amizade. Sim, pois pode vir acontecer coisas com a gente, que a gente mesmo não entende - quanto mais os amigos que estão à margem da gente. Sim há coisas que só Deus tem explicação e diante de fatos em nós sem razão de ser, os amigos só podem sentar a distância e observar.
Sim. Algumas vezes os amigos se calam.
Todavia há um que não está calado, continua nos falando no meio da dor e do sofrimento. Da angústia e frustração. Do medo e ansiedade. Ele fala. Sua voz é como a do trovão – e quando Ele fala... até o mar e o vento lhe obedecem.
Sim, quando os amigos se calam, Jesus continua nos consolando.
Pense nisso.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
PERDEDORES DE BATALHAS GANHAS
"Assim, subiram lá do povo uns tres mil homens, os quais fugiram diante dos homens de Ai,"
Josué 7.4
A batalha já estava ganha.
A experiência anterior em Jericó confirmava que Aí seria “fichinha”.
Todavia o povo de Israel perdeu uma batalha ganha.
Sim, algumas vezes somos perdedores de batalhas ganhas.
Perdemos batalhas ganhas quando pensamos que todo vitória, é vitoria para sempre, e deixamos a postura de lutadores e só vivemos de celebrações. Sim, tem tanta gente por ai na vida, que por ganhar uma vez, se dá ao luxo de parar de lutar e vive apenas celebrando, como se o dedilhar de uma guitarra ou um movimento de dança, substituísse uma profunda e verdadeira atitude de vigilância e santidade.
Perdemos batalhas ganhas quando ocultamos em nós e para nós, os pactos da maldade que fazemos, através das concessões que permitimos dentro do nosso coração – mesmo naquelas situações que nada parece ser perigoso – Acaz, quebrou a cara, porque viu na capa babilônica e na taça prata, uma impossibilidade de fracasso, pois que mal faria tais coisas, diante de um Deus tão grande? O resultado: a derrota.
Perdemos batalhas ganhas quando não admitimos que uma vitória não nos faz vitoriosos. Pois o vitorioso não é o que ganha aqui e ali, mas é aquele que mesmo quando sabe que pode perder, permanece sem as forças da força que pensamos ter – e assim sendo, avança na força do braço do Senhor. É tem gente por ai, que perdeu a força, pois só aprendeu a usar a própria força, nesta batalha, onde o inimigo não quer minar sua força, quer medir forças.
Sim, a experiência de Israel deveria nos ensinar muito.
Portanto, olhe para dentro de si e veja, lá onde ninguém mais vê, as condições de existência e resistência que você tem.
Hoje pode ser uma grande oportunidade, para eu e você, começarmos a mudar o curso das conquistas que temos a frente.
Pense nisso.
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