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quarta-feira, 27 de julho de 2011

CARNE MOÍDA


"Todavia, ao Senhor agradou moê-lo..." Isaías 53.10

Sim, para que a gente possa servir aos propósitos de Deus e da história, algumas vezes, é necessário sair da condição de “filé” e tornar-se apenas carne moída.


Sim, é preciso que deixemos, em dados momentos da nossa vida, a condição em que nos encontramos, e tornarmo-nos apenas aquilo que Deus deseja fazer de nós.

Sim, algumas vezes só teremos utilidade na vida e na história se Deus nos moer.

Deus tem seus processos e sua forma de manufaturar a nossa existência, para que ela torne-se utilizável em suas mãos. Todavia tal forma de agir, nos leva a um momento de profundo e intenso quebrantamento, pois, na vida, não seguimos como desejamos, mas como deve ser.

Sim, Deus tem prazer em nos moer para que, seus planos e propósitos sejam cumpridos em nós.

Deus mói a gente, quando vê na gente aquilo que não faz bem pra gente. Pois tem coisas que deixamos na gente ou se impregna na gente, que não é a gente, e transforma a gente naquilo que não somos.

Deus mói a gente, quando os planos Dele pra gente, não coadunam com aquilo que a gente planeja fazer com a vida da gente, então Ele atua nas circunstâncias que envolvem a gente, e nos quebra aos pedacinhos, para depois, fazer a gente de novo.

Deus mói a gente quando o pecado se torna realidade na vida da gente. Pois Ele não permite que a vida que Ele planejou para a gente, se iguale ao tipo de vida que o pecado tenta fazer com a gente.

Deus mói a gente, quando quer se utilizar da gente para abençoar – com a vida da gente – a vida de outras pessoas, que como a gente, procura significado e propósito na existência.

Deus mói a gente, quando decide fazer com que a vida da gente, não machuque a gente e aqueles a quem a gente ama e ama a gente, e muitas vezes, não percebemos que estão sofrendo por causa daquilo que a gente faz e a gente é.

Deus mói a gente, e se alegra com isso, pois Ele tem a máquina certa pra fazer isso com a gente, sem machucar ou desconfigurar a gente, e assim sendo, sofremos, choramos, gememos – mas, no final de todo o processo, percebemos que ficamos melhores do que a éramos, e sendo assim, nos alegramos com o resultado que vemos na gente.

Deus mói a gente para que outras pessoas saibam que não estamos entregues ao acaso da vida, e que muitas vezes a perfeita forma do amor cuidadoso, do amor que Ele tem pela gente, passa pelo processo de refazer a gente – não nos moldes do triunfalismo barato, mas na dolorosa transformação daquilo que Ele planejou pra gente.

Sim o triturador de Deus chama-se vida, cotidiano. Pois são nos acontecimentos da vida que Deus vai nos moendo. São nos erros, nas frustrações, nas decepções, nas perdas, nas derrotas, nas fobias, nas insatisfações, nos desencontros que a gente acha no caminho, que o triturador Dele, nos torna na matéria prima de sua vontade pra gente. Entretanto, mesmo com esta série de acontecimentos, nada disso, uma vez Nele, tem o poder de nos desintegrar. Sim, podemos ficar moídos, mas não desintegrados ao ponto de nos perdermos na vida. Sim, Deus sabe moer a gente.

Pense nisso.

terça-feira, 26 de julho de 2011

O DEUS DOS FRACASSADOS


"...havendo trabalho toda a noite, nada apanhamos..." Lucas 5.5

O fracasso é uma realidade existencial, ou seja, todos que aqui estão nesta vida e neste mundo, experimentarão seu sabor.


O pior fracasso não é aquele que se manifesta como condição de incapacidade, mas sim o que vem a nós, apenas por tentarmos acertar na vida e na história.

Fracassamos quando a gente tenta ser feliz e nesta tentativa de felicidade experimentamos e ofertamos infelicidades aqueles que só felicidade de nós esperavam.

Fracassamos quando tentamos na fé a realização da vida, e faltando a fé, damos marcha a ré e voltamos onde nunca queríamos estar.

Fracassamos quando esgotamos nossa capacidade de fazer o que sabemos fazer, e depois de termos feito tudo que sabemos, não conseguimos nos mover da mesma condição que estávamos antes.

Fracassamos quando não entendemos o que devia ser feito, e fazemos as coisas que não entendemos.

Fracassamos quando a verdade não foi dita e mesmo sabendo que a verdade faltou, continuamos seguindo na mentira.

Fracassamos quando usamos as pessoas e amamos as coisas.

Fracassamos quando permitimos que a realidade fale mais alto que a fé, pois enquanto esta é empírica, a outra é concreta e nos esmaga.

Fracassamos quando fazemos o que queremos e colhemos o que nunca pensávamos que poderia ser.

Sim, algumas vezes as redes voltam vazias.

Todavia há um Deus que vem ao encontro do fracassado.

E este Deus, que sabe do nosso fracasso nos manda começar de novo.

Então vencemos o fracasso.

Vencemos o fracasso quando entendemos que nosso fracasso só é nosso e não daquele que nos chamou a vida e a realidade das coisas: Deus. Sim, pois Deus não nos chama a sensações, ele nos chama para vivermos a realidade, por isso, não devemos esperar o peixe no barco, mas lançar a rede outra vez.

Vencemos os fracassos, quando, mesmo fracassados nos movemos não baseados no que o fracasso nos proporcionou como experiência de vida, e sim, na nova possibilidade que a fé, na Palavra de Deus nos concede. Pois nada mais forte que a realidade para mudar nossa perspectiva, mas também nada é mais poderoso que um coração que crê.

Vencemos o fracasso quando percebemos que o que sempre lutamos para possuir não é de fato o que queríamos, e o que realmente nos faz felizes, é a nova proposta de vida, que se desvenda diante de nossos olhos, quando contemplamos a Jesus.

Sim, só quem entende o que Jesus é pode vencer o fracasso.

E esta vitória não é mérito humano, nem esforço, nem capacidade. Esta vitória é graça abundante. É encontro consigo em Cristo e de Cristo consigo, é transcendência. É experiência que vai além da religião.

Sim, temos um Deus em Cristo Jesus que vai ao encontro do fracassado.

Ele não expõe nosso fracasso.

Não lança em rosto nossas fraquezas.

Não nos insulta pelos nossos erros.

Antes nos possibilita, na sua imensa discrição, a oportunidade de fazermos tudo de novo, inclusive com a possibilidade de novo fracasso. Sim, Jesus é assim. Dá-nos nova oportunidade, mesmo sabendo que podemos fracassar, todavia, se antepõe ao fracasso e nos concede condições de vencermos os próprios limites de si mesmo.

Pense nisso.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

APRENDENDO A PERDER PARA GANHAR


"Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo (...) para que possa ganhar a Cristo." Filipenses 3.7,9

Num mundo onde levar vantagem é o que faz sentindo quando se vive, acabamos domesticados a viver, sempre, querendo ganhar tudo o que for possível.

A expressão: “o que eu ganho com isto” vem intrinsecamente e inconscientemente imprimida dentro da gente.

Perder é uma palavra que não gostamos que fizesse parte do nosso repertório. Ninguém gosta de perder.

Todavia, Paulo o apóstolo diz que existem perdas que são verdadeiros ganhos, pois carregam em si todas as possibilidades da liberdade e satisfação, pois na vida, nesta ânsia de ganhar, vamos acumulando coisas que nos sobrecarregam a existência e nos impedem de sermos, vivermos e seguirmos o curso daquilo que Deus tem planejado para nós.

Sim, pois não somos obras do acaso e nem da evolução, somos projetados para cumprirmos um propósito, que pode não está evidente, mas mesmo latente, nos levará aonde fomos destinados a ir.

Portanto é preciso aprender a perder para ganhar.

Entretanto esta perda, não é subtração daquilo que nos é caro. Nem daquilo que temos em nós como carga de amor e subsitência. A perda que Paulo nos ensina é aquela que abre mão daquilo que parece ser por aquilo que já é.

Aprendemos a perder para ganhar quando entendemos que aquilo que dizem de nós, não faz de nós o que nós somos, e só seremos se aprendermos a perder estas referências que sobre nos colocam, para vivermos aquilo que Deus diz a nosso respeito.

Aprendermos a perder para ganhar quando voltamos nosso olhar não para as titulações e ordenações que seguem na história – ou seja – tem gente preocupada demais em ser isso ou aquilo, e esquece que só basta ser o que se é para poder ganhar o que se precisa, e nesta angústia de ter, acabam-se por perder-se na busca, e terminam-se frustrados e amargurados num canto qualquer da vida.

Aprendemos a perder para ganhar quando entendemos que o tempo está a nosso favor – no conteúdo existencial da promessa – e não contra nós. E assim sendo, quem tem as promessas de Deus, não se aflige e corre nesta vida para viver a vida em sim, mas sabe que na espera anômina do consolo da graça de Deus, pode vencer toda ansiedade desta busca desenfreada por propósito.

Aprendemos a perder para ganhar quando fazemos da vontade de Deus nossa busca e nosso alvo, mas sem cair na neurose do não faça isso ou aquilo, pois a vontade de Deus não é um pacote que se compra pronto, mas que se adquire no cotidiano da nossa caminhada com ele.

Sim, Paulo diz que para podermos todas as coisas é preciso que aprendamos a perder para ganhar.

Pense nisso.

sábado, 23 de julho de 2011

O LADO CERTO DAS COISAS

Deste lado é o lado que vejo de lado

E mesmo sendo assim,
Não vejo de que lado estou.
E estando deste lado, vejo-me por outro lado,
E lado a lado com o que sou
Sigo sempre vivendo do mesmo lado.

E ladeira abaixo, desço meio de lado,
Quando percebo, não sei de que lado estou.
Talvez a vida nos vire de lado,
E do avesso do lado vamos,
Sempre sendo o outro lado da gente.

Sim, às vezes é difícil saber o lado certo das coisas.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

CONTRAPONTO OU DO CONTRÁRIO QUE DEVERIA SER.

Alguns dias já nascem anoitecidos.


E outras noites são apenas luminosidade.

Algumas vezes a claridade produz escuridão

E na escuridão da noite,

A liberdade.

Algumas retas podem se obliquas,

E as curvas podem ser a reta que leva aonde se deve ir.

E a razão pode levar a loucura.

Sempre um ponto pode ser um contraponto, ou o contrário do

Que deveria ser.

E a oportunidade pode virar fracasso e fracassando,

Ter a oportunidade da vida.

Nem sempre o riso é de alegria,

E o choro de uma pequena tristeza.

Às vezes o doce do doce é amargo,

E o amargo pode ser doce.

O caminho nem sempre leva onde se quer,

E algumas vezes não há caminho para onde ir, e não indo

Chegar onde queria, pelo simples fato de ficar.

O frenesi pode ser morte,

E às vezes, morrer é a única forma de continuar vivo.

Sim, tudo a si mesmo se contrapõe,

Pois nada é constante.

E se tudo muda,

Tudo acontece ao contrario do que deveria ser.

A RIQUEZA DAQUELES QUE NADA TÊM.


"...nada tendo, mas possuindo tudo." 2 Coríntios 6.10

Ter e possuir ainda que pareçam ser a mesma coisa, ou seja, trazer a idéia de posse são coisas completamente diferentes.

No singelo entendimento, TER está relacionado com aquilo que se tem, com aquilo que está ai, palpável e diante das mãos. É aquilo que é manipulado, manuseado, usado e experimentando como realidade. POSSUIR não tem relação com ter. Enquanto aquele é o que se usa, este é o que se vive.

Sim podemos ter coisas e não possuí-las.

Mas será impossível possuir uma coisa e não vive-la.

Enquanto um TER diz respeito a relacionar-se com a coisa em si, POSSUIR diz respeito a sentir a coisa em si, dentro de si, mesmo que a não possuamos.

Felizes são os que possuem as coisas e não os que as tem, pois os segundos sempre ficarão no débito da incerteza, pois há muita gente que tem as coisas, mas não as tem de verdade, não as possuem em si. Sim há muitos casamentos, relacionamentos, sentimentos, afeições, afetos e desafetos, gente e mais gente assim. Tem-se alguém ou alguma coisa ao lado, mas aquilo que se tem só se tem na posse do ter, e não no intimo do possuir.

Todavia há aqueles que não têm nada, mas consegue com esta capacidade de possuir coisas, ter na ausência de tais coisas, a completude da coisa não tida, e assim conseguem viver felizes no desdobramento de sua existência.

Há pessoas que não são ricas, não são famosas, não tem ninguém do lado como parceria de reciprocidade amorosa, são anônimos num mundo seduzido pelo estrelato, e mesmo assim possuem em si mais do que aqueles que neste contexto descrito estão, pois a verdadeira posse não é a que controla circunscrita, mas aquela que se deixar possuir, sem as rebeliões da alma.

Assim é com a vida. Ela está aqui, mas não é nossa apenas a possuímos enquanto vivemos.

Assim é com os sonhos. Sonhos são possuídos, por que são apenas nossos e nos diz respeito a nós. Está é a única coisa na vida que a nós pertence de verdade.

Assim deveria ser com a gente. A gente se tem, mas muitas vezes não se possui, pois deixamos ser usados por outras pessoas.

Assim deveria ser a gente com as pessoas.

Assim deveria ser das pessoas com a gente.

Assim deveriam ser as relações da gente.

Assim deveria ser com as emoções da gente.

Assim deveria ser com os sentimentos da gente.

Não deveríamos querer ter ninguém – mas possuir.

Por isso, Paulo o apóstolo diz que existe gente na vida que não tem nada, mas possui tudo, pois para ser completo e realizado, não basta ter o que quer, é preciso possuir aquilo que têm, mas nem sempre é assim.

E você? Possui tudo que diz ter?

Pense nisso.

terça-feira, 19 de julho de 2011

QUERER É PODER SER: QUEM LÊ, ENTENDA!

Uma das coisas mais intrigantes da e desta nossa existência, são as possibilidades de existir. Todavia tal possibilidade só se dá pela via do querer, pois nada se é, antes de querer que assim seja.


Então o querer já é uma forma de ser.

E assim sendo, ou querendo, podemos ir esboçando as formas daquilo que se quer aí, no existir. No acontecer desta existência.

Todavia não basta o querer pelo querer, é preciso, necessário o querer pelo ser o que se quer ser, e isso se dá através daquilo que se é. Sim, parece complexo, mas não é. Apenas sendo o que se é agora, com todas suas insatisfações e inexplicações, é que a gente gera na gente à vontade, o querer SER aquilo que não se é, da forma que se está.

Sim em toda esta simples complexidade reside a forma mais simples de ser: Querendo ser. Todavia ser não é simples. Estar ai simplesmente é fácil, mas ser não é, pois denota querer, paradoxalmente não basta querer por querer, é preciso coragem para querer ser.

Portanto, querer é possibilidade para ser.

Pense nisso.

P.S. Obtive uma "ajudinha" nesta reflexão.

DO VERBO SER NO TEMPO PRESENTE QUE SE CHAMA AGORA.


Eu não sou.
Pois em mim há toda a plenitude de não poder (querer) ser o que quero, e se SER é apenas o SER que os outros querem, eu não sou.

Tu não és.
Pois para que tu sejas, é necessário acima de tudo, reconhecer que não é nada, e assim sendo, não poderás ser, pois tal reconhecimento é a mais alta renúncia de própria existência.

Eles não são.
Pois ninguém é o que parece ser, ainda que com toda sinceridade exprima seus sentimentos, aqueles que realmente são, só serão por dentro, pois quando se olha para eles só vemos o que se é por fora, e assim sendo, não são.

Nós não somos.
Pois NÓS é a soma do Eu, do Tú e do Eles, e isso já ficou acima explicado. Se na individualidade não se É também na pluralidade não se pode ser.

Vós não sois.
Pois uma vez que eu não sou, terei dificuldade de reconhecer que o outro é antes de mim. Sim, isso em nossa existência é impossível: reconhecer o outro como sendo.

Eles não são.
Isso é uma certeza, mas muitos deles ( ou de nós) não sabem ainda.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

DE DENTRO PARA FORA

"...por fora combates, temores por dentro..." 2 Coríntios 7.5

Algumas vezes os combates que enfrentamos na vida, são apenas manifestações daquilo que temos por dentro.

Mesmo não mostrando o que somos sempre teremos o que somos dentro de nós.

Paulo, o apóstolo sabia disso.

Sim, nossas lutas e batalhas na existência sempre têm inicio dentro de nós. Pois é no ambiente do nosso interior que as maiores e mais severas guerras são travadas. Esta guerra subdivida em batalhas existenciais fazem da gente o que a gente não gostaria de ser.

E nisso todos somos iguais.

Nossos combates com a vida e seus desdobramentos surgem por que dentro da gente a gente não vai bem, e não indo bem a gente deixa de ir e estaciona nas dores e angustias e lá, podemos ficar toda uma vida, tornando-nos no final de tudo, seres amargurados.

É preciso parar com as demandas de fora, e resolver, acima de tudo aquilo que se passa dentro do nosso interior – do interior da gente, pois assim não sendo, corremos o risco de lutar batalhas invencíveis, pois não lutamos com o que é exterior a nós, mas com a gente mesmo.

Portanto teu pior inimigo pode ser você.

E às vezes nosso inimigo é projetado nas coisas e pessoas a nossa volta, e nos vemos combatendo o invencível e querendo mudanças impossíveis nas coisas e pessoas, quando na realidade nada disso faz sentindo, sendo que não temos a coragem de enfrentar nossos próprios dilemas.

Sim, os combates que temos por fora são apenas os medos que possuimos por dentro.

Pense nisso.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

ENSAIO SOBRE O MEU NÃO ENTENDIMENTO

Eu queria entender.


Sim eu queria entender por que as coisas são como são, e sendo como são não nos mostram a razão de serem como são.

Eu queria entender por que dizemos não, quando na verdade queremos dizer sim, e sim quando queremos dizer não, e assim procedendo, criamos a falsa ilusão de sinceridade, e acabamos frustrados na estrada da vida e da existência, e frustrando a existência de outra pessoa.

Eu queria entender por que às vezes abaixamos a cabeça, quando podíamos andar com ela erguida, e assim fazendo, passamos a idéia de que somos frágeis, e outras pessoas abusam da gente e daquilo que a gente é.

Eu queria entender por que a gente não é a gente, com medo do que vão dizer se realmente a gente for à gente. E assim sendo, apenas nos tormamos a gente dos outros.

Eu queria entender por que às vezes bate um vazio, e mesmo quando a gente diz que tá tudo bem, o vazio continua lá. Sim, e também queria entender, por que até mesmo os religiosos têm medo de dizer que tal vazio existe, pois temem ser censurados por serem o que são: Gente humana.

E se tem uma coisa que Deus entende na gente, é este vazio que muitas vezes tenta preencher a gente.

Eu queria entender por que as pessoas juram amor eterno, e depois de alguns anos, estão se odiando. Sim, queria entender mais sobre o amor, e saber se o amor é isso mesmo – principalmente aquele que existe em alguns casamentos.

Queria entender por que dizem: “eu te amo”, quando já não amam mais, mas dizem tal frase, apenas como manutenção da condição de vida que possuem. Sim, isto eu queria mesmo entender.

Pois este amor que vira desamor à medida que o tempo passa, eu concluo que não é o amor, e este tão sonhado amor, e poetizado amor, eu confesso que, queria entender.

Eu queria entender por que não gostando de ser o que se é a gente não muda o jeito de ser, e assim, tornar-se seres mais felizes naquilo que se é. E o que não entendo mesmo, é aquilo que não gostamos em nós, mas projetamos nas pessoas. Sim, pois o que mais detestamos na gente é o que mais nos incomoda-nos outros.

Eu queria entender por que temos tantas perguntas sem respostas, e por que às vezes, as pessoas respondem sobre nós, sem que façamos perguntas á elas, e elas concluem de nós, o que nós e em nós não há.

Sim, eu queria entender.

Todavia o simples fato de querer entender não me traz o entendimento querido, portanto, resta apenas tentar entender, por que é tão difícil pra gente, entender as coisas.

Tente entender isso!

sábado, 9 de julho de 2011

DESCARREGO


"Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei." Mateus 11.28

Sim, este é o convite de Jesus.


Um descarrego.

O descarrego, no entendimento das religiões afro-brasileiras é tirar a coisa ruim que pode estar na gente. O descarrego no entendimento de Jesus, é tirar a gente da coisa ruim que está na gente.

E nisso há uma grande diferença.

Precisamos de um descarrego, pois tem carga que não é a gente que carrega, é ela que carrega a gente e, nos faz acreditar que é a carga da gente, e por tal motivo, tem gente deixando de ser – o tipo de gente que sabe que poder ser – por tal fardo carregar.

Precisamos de um descarrego, pois há cansaço que pega a gente, mas a gente ainda não esta cansado. Não estando cansado de viver, de ser feliz, de rever idéias, de rever a fé – mas por tal cansaço ter se apoderado da gente, a gente para no barranco da vida e não segue, e então colocamos culpa na existência.

Precisamos de um descarrego, pois as cargas que devemos carregar não podem ser mais pesadas que as possibilidades que temos de não carregá-las, ou seja, um descarrego nos possibilita entender o que realmente é importante carregar na vida, como esforço de amor e realização. Sim tem muita gente que carrega na vida, a carga da infelicidade, da incredulidade, do senso de inadequação, de impossibilidade – pois tais seres optaram por não ser aquilo que realmente poderiam ser. Sim, Jesus tira da gente a carga que da gente é, mas não realiza a gente.

O descarrego de Jesus não precisa de elementos fetichistas. Não precisa de vela, nem de pólvora, nem disso ou daquilo. Este descarrego depende de entrega e confiança, depende da transcendência, da fé, depende daquilo que não é daqui, mas está aqui. Esta em mim.

Depende da vontade de viver que em mim está.

O descarrego de Jesus não depende de igreja ou religião. Sim, pelo contrário, pois tais lugares algumas vezes são as “macumbas” da existência carregada de muita gente, pois ao contrário de Jesus, que se movem na liberdade, tais ambientes impregnados de religião, criam o medo, a manipulação e o juízo destrutivo.

O descarrego de Jesus não me convida e nem me obriga a ir a algum lugar “santo”, ao contrario, eu não preciso ir, preciso vir, “vinde a mim”. Sim, pois é vindo a Ele que as cargas vão ficando no caminho. Ir é uma imposição, vir é uma decisão – decisão que não demanda manipulação, mas e apenas, vontade

Sim. Eu preciso de um descarrego.

Pense nisso!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

PRA ONDE EU QUERO IR?


Alguns são movidos apenas pela certeza dos passos.


Não saem de onde estão e nem vão onde querem, sem saber, ao certo, se aquilo é certo.

E nesta certeza, não caminham nunca, pois a certeza já é incerta.

Todavia podemos simplesmente seguir, não pelo fato de sabermos o que queremos, pois tal conhecimento muda ao passo que damos um passo em direção a isto, ou seja, a certeza não fica certa, à medida que caminhamos com a certeza de irmos ao lugar que sabemos querer ir.

Complicado? Não. Simples.

Algumas vezes saímos com a certeza de chegar onde queremos, mas à medida que caminhamos, percebemos que já não temos tanta certeza se queremos ir para onde estamos indo.

A estrada muda. A gente muda. Ou a estrada muda a gente. Ou a gente muda a estrada, ou muda de estrada. Ou entra gente na estrada da gente e muda a gente. Ou a gente tira gente da estrada da gente e muda a estrada. Enfim, a gente muda. A vida muda. A estrada muda.

Portanto basta a alguns uma coisa simples: Ainda que não saiba para onde você quer ir, basta apenas saber onde você não quer ficar. Ainda que você não tenha certeza do que quer, basta saber, com toda certeza o que você não quer mais. Aquilo que está por vir pode mudar completamente, mas aquilo que já foi não precisa se repetir.

O segredo da completude, da realização não está no fato de sabermos o que queremos como certeza eminente – mas sim, no conhecimento de não mais viver aquilo que, na vida, não proporciona vida nem realidade. Sim, pois o que nos impede de ser, não é a não saber o que queremos ser, é continuar sendo o que não queremos mais ser.

Sim, a única certeza que precisamos na vida, não é para onde vamos, é aquela que nos mostra onde não queremos mais ficar e nem existir como somos lá.

Pense nisso.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

SEM INSPIRAÇÃO

Algumas vezes temos tantas coisas pra dizer, que para dizer as tantas coisas que queremos, não encontramos a forma de dizer, essas tantas coisas que queremos que sejam ditas.
E o dito pelo não dito, acabamos por não dizer o que, seria de utilidade impar e pessoal, que fossem ditas.
Sim, todos carregamos uma dezena de palavras não ditas no interior da gente.
E por não serem ditas, se constroem na gente, como edifício inacabado, e inacabando sendo nos deixam pela metade também. Pois tais coisas não ditas, apenas premedita as vontades que delas tinhamos de dizer.
E por não serem ditas, não nos permite ser o que a gente é.
Por isso tem gente, que ao inves de dizer o que deveria ser dito, prefere mentir.
Ou então dizer, que não tem inspiração.
Pense nisso, e diga alguma coisa.
Então não pense.

Diga!