quarta-feira, 22 de junho de 2011
SE ARREPENDIMENTO MATASSE...
"Arrependei-vos..." Marcos 1.14
O arrependimento é a condição para viver uma vida com a qualidade de Cristo.
Sim, arrepender-se é promulgar sobre si e sobre as coisas de si, uma vida que possui a qualidade da transcendência de Jesus.
O arrependimento é a capacidade que se desenvolve apenas naqueles que já entenderam sua própria condição – sim, pois para que tal processo de arrependimento influxe no nosso interior, gerando lá as mudanças e transformações, oriundas de tal ato, é necessário um total e profundo senso de conhecimento do nosso próprio estado, estado este, pecaminoso.
Arrependimento não é remorso.
Arrependimento não é dor na consciência.
Arrependimento não é força de vontade.
Arrependimento não são promessas de não mais fazer.
Arrependimento não é fechar os olhos e dizer: “não farei” – mas fazer novamente.
Arrependimento não é medo de ser pego.
Arrependimento não é fingir que nada aconteceu.
Arrependimento não é entender o erro – mas justificá-lo pelas circunstâncias.
Arrependimento não é pratica de religiosidade, como se fosse uma coberta da própria nudez.
Arrependimento é entender o que se é, pois só se entendendo como se é, é que podemos entender o que fazemos. Sim, quando entendemos que somos pecadores, entendemos que pecados cometemos.
Arrependimento não gera morte – pois tem gente que diz: “Se arrependimento matasse, eu estava morto...” Não, arrependimento gera vida – vida de Deus em nós e através de nós.
Arrependimento é voltar ao início da estrada e caminhá-la novamente, com mais atenção naqueles lugares onde caímos.
Arrependimento é o estender de mão a Jesus, naquele momento que no fundo do poço estamos.
Arrependimento é o antídoto contra as ciladas do diabo. Não, ele não evita que lá caíamos – mas uma vez lá, ele – o arrependimento – permite que de lá saíamos nas cordas da graça e da misericórdia de Deus.
Sim, arrependimento é vida, é esperança, é graça, é bonança é misericórdia.
Todavia, arrependimento não é nada por si só. Ele só funciona, se estiver espiritualmente misturado aquele que é o principio ativo da vida: Jesus. Sim, pois sem Jesus, arrependimento é apenas culpa.
Sem Jesus arrependimento é apenas penitência.
Sem Jesus arrependimento é apenas sacrifício físico e emocional.
Sem Jesus arrependimento é, simplesmente, tristeza que mata a alegria da vida em si.
Com Jesus, arrependimento é tristeza que produz alegria no ser, e assim, sendo, leva-nos de novo de volta onde não devíamos ter saído.
Sim, pode ser hoje o dia de nos arrependermos daquilo que reconhecemos em nós, ser o mal que em nós há.
Arrependei-vos.
Pense nisso.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
DA GUERRA E OUTRAS BATALHAS DENTRO DE NÓS
"...tempo de guerra..." Eclesiastes 3.8
Sim temos e precisamos de tempos de guerra.Tempo de uma guerra que não é bélica, mas se trava na beligerância do nosso ser.
Sim, travamos uma continua guerra dentro da gente, contra a gente e contra aquilo que a gente vai se tornando, enquanto gente.
Sim, há um tempo que temos que invadir as fronteiras existenciais deste inimigo chamado nós, e lá espoliá-lo de nós mesmos, pois tal guerra é uma continua busca pela liberdade de nós, dentro da gente. E nesta peleja todos somos prisioneiros de guerra.
Sim, precisamos declarar guerra, de tempos em tempos, dentro da gente.
Esta guerra é necessária para que a liberdade de ser o que a gente é pra gente mesmo, seja mantida. Porque no decorrer desta existência, vamos nos tornando – em muito – o que os “outros” querem que sejamos.
Sim, esta guerra não é rebeldia – e apenas uma busca sincera por aquilo que a nossa vocação em Cristo e na vida nos chama a ser.
Muita gente é refém das ditaduras do comportamento – inclusive o religioso – que o mantém longe daquilo que realmente nasceu para ser, e assim não sendo, enclausura-se nas masmorras do medo e da timidez, e torna-se refém de si mesmo.
Sim, precisamos do tempo de guerra – pois a paz que vem em seguida, não é presenteada, é uma conquista da fé e da luta contras todas as estruturas do mal dentro da gente, dentro do caráter da gente.
Esta guerra não apenas liberta, mas protegem nossas fronteiras emocionais e espirituais de todo tipo de invasão “estrangeira” ou, leia-se, sobrenatural, com o intuito de apoderar-se não apenas do que é nosso, mas de nós mesmo. Sim, lutamos para não nos entregarmos àquilo que sabemos estar dentro da gente e querendo se manifestar na gente.
Sim, precisamos lutar.
Mas não podemos lutar sozinhos. Precisamos de um exército do nosso lado. Sim, sem outros que também querem ser livres, livres não podemos ser na solidão, portanto, na igreja devemos buscar aliados. E se, aliados achamos lá, precisamos de um comandante, de um capitão: Jesus.
Sim toda guerra é travada em nós, mas apenas por Ele, que já venceu todas as guerras, inclusive aquelas que ainda lutaremos: Jesus, Ele é nosso capitão nesta luta que travamos dentro da gente, pra gente mesmo.
Pense nisso.
sábado, 11 de junho de 2011
DA AMARGURA E OUTROS SABORES DA VIDA.
"...nem haja nenhuma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe..." Hebreus 12.15
A amargura é o sabor que há na vida daquele que, na vida, perdeu as possibilidades que a própria vida dá. Possibilidades estas que não são apenas promessas da vida, mas promessas na vida, vindas de Deus.
Sim a amargura é a incapacidade de ver Deus agindo na nossa história e através da nossa história.
O ser amargo vive em função apenas do que está vivendo no momento, e assim sendo, vai perdendo durante o tempo que vive todas as possibilidades de viver as promessas de Deus. Sim, quem se encontra na amargura, torna se amargo pelo simples fato de não conseguir experimentar a doçura que existe, não na vida em si, mas na vida em Deus.
O ser amargo vê no outro a amargura que nele esta, e assim sendo, contamina não o outro, mas a totalidade de sua vida e existência, e mergulha ainda mais em tal amargor, pois sendo assim, afasta de sim todos os que com doçura desejam tocar sua vida.
O ser amargo, por não experimentar o doce sabor da vida com Deus e suas promessas, troca o temporal pelo momentâneo, na ânsia de poder vivenciar novos sabores, e nesta busca apenas pelos gostos da vida, continua no desgosto daquilo que é apenas momentâneo.
A amargura nasce da falta de entendimento de que, mesmo sendo a vida dura em suas manifestações, ela – a vida - continua sendo a única forma por onde Deus se manifesta a nós – portanto – fugir da realidade da vida é o que torna-nos amargos, não enfrentá-la.
A amargura possibilita ao ser amargo a contramão da realidade, ou seja, quem na amargura está crê que o mundo e todos no mundo são a causa de suas dores e tristezas, e assim, caminha contra a correnteza da esperança e sempre vai seguir o sentido contrário a felicidade.
A amargura faz-nos perder a chance de, mesmo não entendendo os momentos de dores e tristezas, podermos continuar confiando na graça e na misericórdia de Deus.
Sim, a amargura cria raízes e se aloja no fundo da alma, e lá se estabelece como verdade do ser e realidade da vida.
O único machado que corta a raiz da amargura é o evangelho da graça de Jesus.
Jesus quando encontra-se com a amargura transforma a visão do amargurado ao ponto de que ele veja Deus na história e na sua própria história.
Jesus quando se encontra com a amargura adoça a vida do amargurado, não com os produtos dietéticos das buscas humanas e mundanas, mas com Sua doçura sobrenatural que se sobrepõe sobre todas as dietas restritivas que a amargura impõe ao coração de quem nela esta. Sim, Jesus nos tira da dieta imposta pela dor, pela decepção e frustrações.
Jesus quando se encontra com a amargura devolve ao amargurado uma nova razão para viver, mesmo este tendo perdido todas as razões pelas qual lutou um dia. Sim, Jesus faz isso, pois o tempo nas mãos Dele, ganha tempo, mesmo tendo nós, perdido muito tempo na vida.
Sim, Jesus tem em suas mãos o machado que corta a raiz de toda amargura e derruba na vida daquele que no amargor está a arvore de maldições e opressões que o diabo cria numa existência amargurada.
Pense nisso.
sábado, 4 de junho de 2011
DA TENTAÇÃO E OUTRAS VONTADES DENTRO DA GENTE
"...e não nos deixeis cair em tentação;..." Mateus 6.13
A tentação é a vontade da minha vontade por causa de uma vontade.
Ela é a minha vontade manifesta que anseia realizar a minha vontade latente, ou seja, aquela vontade que esta dentro de mim.
A tentação age levando a gente contra a gente, e assim sendo, desconstrói na gente a vontade de fato. Toda tentação é apenas uma tentação da vontade, pois satisfeita a vontade da tentação, temos apenas a sensação de vazio e desconforto.
Todavia, mesmo assim sendo, a tentação tem o poder de controlar a vontade. Ora sendo assim controladora, ela também manipula a gente contra a vontade da gente, e gera na gente uma neurose de ter a vontade satisfeita, mesmo contra a vontade da gente.
A tentação opera no intimo e no silêncio do nosso interior. Ela só se manifesta pra gente, no seu gritante estado, quando a gente cede a ela, e nesta peleja, caímos em tentação. Cair em tentação é permitir que a vontade gerada pela tentação controle a vontade da gente, e controlado nossa vontade – controle a gente.
Vencer a tentação é vencer a vontade da gente dentro da gente.
E tal feito não é fácil. Porque muitas destas vontades não são apenas uma vontade, mas pode ser um estágio da vida num momento de necessidade, ou seja, podemos ter uma tentação por estarmos vivendo um momento ruim em algum ponto da nossa existência. Podemos ter uma tentação por estar num momento de fragilidade emocional, afetiva ou espiritual.
Todavia tais momentos não inviabilizam a tentação, antes pelo contrário, a patrocina e seu maior investidor é o diabo, pois este Ser sabe que nossa vontade sempre será em potência ao mal.
Jesus é nossa fonte de contentamento e vitória sobre a tentação. Ele foi tentado. Ele venceu a tentação. Portanto, uma vez em Cristo temos vitória contra a tentação – mesmo que em tentação já tenhamos caído.
Cair em tentação é permitir que o mal, sócio da tentação, se instale em nosso ser e faça a gestão de nossa vida e história, ou seja, a tentação é destrutiva quando promulga na gente um comportamento que permite que aquilo que era raro torne-se comum – cotidiano.
Jesus diz que a forma de vencer a tentação é orar. Pedir a Deus que nos livre dela.
O segredo sempre será evitar o caminho onde ela está, pois, uma vez trilhando na mesma estrada podemos não ser fortes suficientes para vencê-la.
Pense nisso.
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